RESOLUÇÃO CNBIO Nº 7, DE 7 de NOVEMBRO DE 2025 e o Bambu
Por: Luis Fernando De Carvalho
Coordenação ViverDeBambu
A análise a seguir demonstra como a cadeia produtiva do bambu e as propostas do ViverDeBambu se alinham estrategicamente com os objetivos de política pública listados. Nesta resolução: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cnbio-n-7-de-7-de-novembro-de-2025-668938516
RESOLUÇÃO CNBIO Nº 7, DE 7 de NOVEMBRO DE 2025
A análise da Resolução CNBIO Nº 7/2025 (Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia - PNDBio) realizada no blog post estabelece uma base sólida, demonstrando que o projeto ViverDeBambu e a cadeia do bambu se enquadram em cinco eixos temáticos centrais da Bioeconomia brasileira (Estruturação de Cadeia, P&D, Restauração, Turismo e Conhecimento).
No entanto, para maximizar o potencial estratégico do ViverDeBambu no cenário político de dezembro de 2025, é fundamental conectar a estratégia do PNDBio (Bioeconomia) com o Despacho Presidencial recente (Transição Energética). A convergência destas duas políticas federais posiciona o projeto como um ator central tanto no Meio Ambiente (MMA) quanto na Economia (MME/Fazenda).
Abaixo, apresento os complementos e as correlações estratégicas mais relevantes, com foco no cenário pós-Despacho Presidencial.
1. Conexão Estratégica: PNDBio (Bioeconomia) + CNPE (Transição Energética)
A Resolução CNBIO Nº 7 fornece o arcabouço de fomento à produção. O Despacho Presidencial, ao determinar o Mapa da Transição Energética e o Fundo para a Transição Energética, fornece a fonte de capital e a demanda prioritária (redução da dependência de fósseis).
O ViverDeBambu atua como a ponte de implementação dessas duas políticas, com o bambu como o vetor estratégico:
| Política Federal | Foco Principal | Proposta ViverDeBambu |
| PNDBio (CNBIO) | Desenvolvimento de cadeias da sociobiodiversidade e restauração produtiva. | Eixos 1, 2, 3, 5: Estruturação da cadeia, Biochar, Agrossílica, Biocombustíveis (SAF). |
| Despacho PR (CNPE) | Redução da dependência de combustíveis fósseis e mecanismos de financiamento. | Eixo 4 (CAGE) e Bio-óleo: Produção de insumos para Armazenamento de Energia (baterias/supercapacitores) e SAFs. |
Correlação Chave: O PNDBio estimula a produção (item d, h, i, w do blog post). A Resolução do CNPE (a ser criada) demandará essa produção para fins energéticos, priorizando o financiamento através do novo Fundo.
2. O Carvão Ativado de Grau Eletrônico (CAGE) como Complemento de Alta Tecnologia
O blog post foca em produtos tradicionais de valor agregado do bambu. O CAGE (Eixo 4) é o complemento tecnológico que eleva o projeto do nível da "bioeconomia tradicional" para a "bioindústria 4.0", atraindo os olhares do MME e do Ministério da Fazenda.
| Produto de Carbono | Nível de Valor | Alinhamento Político Principal |
| Biochar | Médio (Crédito de Carbono/Agrícola) | MMA / CNBIO (Restauração e Sequestro de $\text{CO}_2$) |
| CAGE | Muito Alto (Grau Eletrônico - $>\text{US\$ 5k/ton}$) | MME / CNPE (Transição Energética, Insumos Nacionais) |
Implicação Estratégica: A inclusão do CAGE permite que o ViverDeBambu pleiteie recursos do futuro Fundo para a Transição Energética (financiado por receitas de petróleo/gás), pois o projeto oferece uma solução direta e renovável para o armazenamento de energia e a substituição de insumos de alto impacto.
3. A Plataforma VBC como Mecanismo de Compliance e Financiamento (Foco Centelha)
O Despacho Presidencial, ao envolver a Casa Civil e a Fazenda, exige mecanismos de transparência, rastreabilidade e governança para a alocação de novos fundos.
A Plataforma Automatizada de Quantificação de Carbono (VBC Platform), que está sendo proposta ao Edital Centelha 3/RS, é o complemento tecnológico essencial para atender a esse rigor:
Rastreabilidade do $\mathbf{CO_2}$ (CNBIO e MMA): A plataforma, ao usar funções alométricas (UFSM) e blockchain, garante que o sequestro de carbono do bambu (justificativa para Biochar e CAGE) é mensurável, verificável e imutável. Isso atende ao item "j" (Certificação) do PNDBio de forma digital.
Gestão de Recursos (Fazenda): O software permite que os recursos de subvenção ou financiamento do Fundo de Transição Energética sejam alocados a empreendimentos com dados ambientais auditáveis e em tempo real. A tokenização (Token VBC) é o mecanismo de financiamento que garante o lastro.
Articulação (Casa Civil): A plataforma atende ao item "x" do PNDBio (Conhecimento e Informação), fornecendo dados científicos e técnicos para a articulação de políticas públicas entre os diversos Ministérios.
Em resumo, a estratégia ViverDeBambu deve agora ser apresentada como o ecossistema completo que transforma o bambu em:
Matéria-Prima de Bioeconomia (PNDBio).
Tecnologia-Chave para a Transição Energética (CNPE).
Ativo Digital de Carbono (Token VBC) com Governança (Plataforma SaaS).
#ViverDeBambu
Propõe as missões, as ações estratégicas e os indicadores do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia - PNDBio, com a finalidade de nortear as ações do Estado Brasileiro em favor do desenvolvimento da Bioeconomia no País.
Nesta analise estabelecemos as correlações listando os itens da resolução e a cadeia do bambu e as propostas ViverDeBambu aplicadas à resolução.
A análise demonstra uma alta convergência entre as políticas listadas e o potencial da cadeia do bambu, que atua como uma espécie-chave para a restauração produtiva, bioeconomia e turismo sustentável. O ViverDeBambu já possui propostas concretas para a maioria desses eixos, principalmente no que se refere à regulamentação, financiamento, certificação, pesquisa e capacitação.
O bambu, por ser uma planta de rápido crescimento, alta capacidade de sequestro de carbono (até 12 toneladas/hectare/ano) e versatilidade de uso, é um recurso natural ideal para atender a múltiplas agendas, desde a restauração produtiva até o turismo sustentável.
Os pontos listados (de "d" a "x") foram organizados em cinco eixos temáticos principais para facilitar a correlação:
🌿 1. Estruturação da Cadeia Produtiva e Agroindústrias (Itens d, h, i, j, v, w)
Estes itens focam no desenvolvimento de cadeias de valor, agroindústrias e mercados para produtos da sociobiodiversidade
Item Correlação com a Cadeia do Bambu Propostas do ViverDeBambu Alinhadas
d) Estruturar a cadeia produtiva de insumos e produtos de SAFs, promovendo agroindústrias familiares e compras públicas sustentáveis. O bambu é uma espécie-chave para Sistemas Agroflorestais (SAFs), fornecendo matéria-prima para múltiplos produtos (construção, móveis, biocombustíveis, alimentação). Criar programas de financiamento para polos regionais de produção e linhas de crédito específicas para plantios sustentáveis, com apoio técnico a pequenos agricultores. Priorizar o bambu em compras públicas sustentáveis
h) Implantar modelos de restauração produtiva com espécies nativas de valor econômico. O bambu nativo é uma espécie pioneira de rápido crescimento, ideal para recuperação de áreas degradadas e geração de renda em curto prazo. Incluir o bambu em iniciativas de recuperação de pastagens degradadas, destacando sua capacidade de capturar CO₂ e recuperar solos.
i) Criar núcleos de agregação de valor territorial com infraestrutura de beneficiamento. A falta de infraestrutura de processamento é um gargalo da cadeia do bambu. Núcleos regionais podem viabilizar o beneficiamento e agregar valor. Estruturar polos regionais de produção com foco em bioeconomia e conexão com mercados.
j) Implantar acordos de compra e políticas de mercado preferencial para produtos da restauração. Produtos de bambu (móveis, construções, artesanato) podem ser certificados como originários de áreas restauradas. Criar um sistema de certificação para plantações sustentáveis de bambu, garantindo rastreabilidade e conformidade ambiental/social.
v) Ampliar o número de espécies nativas na produção madeireira sustentável. O bambu é uma alternativa sustentável à madeira, com ciclo de colheita curto (3-5 anos). Promover o uso do bambu em substituição a madeiras de alto impacto em setores como construção civil e móveis.
w) Ampliar a área de manejo, tanto concessionada quanto comunitária/familiar. O manejo sustentável de bambuzais nativos e plantios pode ser expandido em áreas de restauração e SAFs. Incentivar o cultivo e manejo sustentável por agricultores familiares e comunidades tradicionais.
🔬 2. Pesquisa, Inovação e Modelos de Negócio (Itens e, f, l)
Estes itens buscam consolidar programas de P&D e desenvolver modelos de negócio viáveis para produtos da sociobiodiversidade.
Item Correlação com a Cadeia do Bambu Propostas do ViverDeBambu Alinhadas
e) Consolidar programa de pesquisa, inovação, ensino e extensão para recuperação da vegetação nativa. O bambu é um tema relevante para pesquisa em restauração ecológica, fitofisionomias e aumento de escala. Investir em pesquisa para desenvolvimento de novas tecnologias de processamento e novas variedades adaptadas a diferentes regiões. Criar centros de excelência dedicados ao estudo do bambu.
f) Desenvolver e comunicar modelos de negócio/estudos de viabilidade para produtos da sociobiodiversidade. A cadeia do bambu oferece múltiplos produtos com potencial de mercado (construção, bioenergia, têxtil, alimentação). Desenvolver modelos de negócio circulares e parcerias público-privadas para reúso de produtos de bambu.
l) Apoiar incubadoras e plataformas de inovação da restauração, conectando startups, universidades e comunidades. Startups podem desenvolver soluções inovadoras para monitoramento, biotecnologia e gestão de bambuzais. Fomentar parcerias com instituições como Embrapa e CEBIS para desenvolver novos usos do bambu (ex.: biochar).
🌳 3. Concessões para Recuperação Florestal (Item g)
Este item visa ampliar a área de florestas públicas recuperadas através de mecanismos público-privados.
Item Correlação com a Cadeia do Bambu Propostas do ViverDeBambu Alinhadas
g) Implementar projetos de concessão para recuperação florestal. O bambu pode ser uma espécie-chave em projetos de concessão para recuperação, pois oferece retorno econômico rápido através de produtos madeireiros e não-madeireiros. Incluir o bambu em iniciativas de reflorestamento devido à sua capacidade de capturar CO₂ e recuperar solos.
🏞️ 4. Turismo Sustentável e Visitação em Unidades de Conservação (Itens m–u)
Estes itens tratam da estruturação do turismo sustentável em áreas naturais, incluindo financiamento, infraestrutura, capacitação e monitoramento.
Item Correlação com a Cadeia do Bambu Propostas do ViverDeBambu Alinhadas
m) Implementar o Fundo Nacional de Visitação em UCs e fundos estaduais. Recursos podem ser direcionados para infraestrutura de baixo impacto que utilize bambu (passarelas, mirantes, centros de visitação). Priorizar o uso do bambu em projetos de infraestrutura pública como praças, calçadas e ciclovias.
n) Definir a RedeTrilhas como espinha dorsal de roteiros turísticos. Trilhas podem ser sinalizadas e equipadas com estruturas de bambu (pontes, abrigos). Promover o bambu em projetos de revitalização urbana e parques naturalizados.
o, p) Estabelecer linhas de financiamento e integração de fundos para turismo em UCs. Financiamento pode apoiar projetos que utilizem bambu na infraestrutura de visitação. Criar linhas de crédito verde para cooperativas e pequenos produtores rurais investirem em cultivo e processamento de bambu.
q) Desenvolver delegações de serviços de apoio à visitação (guiamento, equipamentos de baixo impacto, gastronomia associada à sociobiodiversidade). O bambu pode ser usado em equipamentos de visitação (deck, móveis) e sua brotação pode integrar a gastronomia local. Incentivar o uso do bambu na fabricação de móveis e artigos de decoração para ambientes turísticos.
r) Estabelecer parcerias para fomentar turismo sustentável em áreas de influência das UCs. Parcerias podem promover roteiros temáticos sobre a cadeia do bambu (do plantio ao produto final). Fomentar parcerias público-privadas para desenvolver sistemas de reúso de produtos de bambu.
s) Implementar programas de capacitação profissional para gestão da visitação e trilhas. Capacitação pode incluir técnicas de construção com bambu para comunidades do entorno. Criar programas de capacitação profissional para manejo, processamento e uso do bambu em diferentes setores.
t, u) Construir Conta Satélite do Turismo em UCs e Observatório Nacional do Turismo de Natureza. Os dados podem incluir o impacto econômico do uso do bambu na infraestrutura turística. Gerar dados sobre o ciclo de vida do bambu para embasar políticas públicas.
📚 5. Conhecimento, Informação e Articulação de Saberes (Item x)
Este item trata da disseminação de informações e articulação entre saberes científicos e tradicionais.
Item Correlação com a Cadeia do Bambu Propostas do ViverDeBambu Alinhadas
x) Promover acesso à informação e ao conhecimento sobre técnicas de manejo, articulando saberes científicos e tradicionais. O manejo do bambu envolve conhecimentos tradicionais (comunidades indígenas e locais) e científicos (pesquisa em variedades, corte seletivo). Implementar programas de educação ambiental e conscientização sobre os benefícios do bambu. Integrar o tema do bambu nos currículos escolares e universitários.
Conclusão:
Para avançar, recomenda-se:
1. Articulação política: Incluir explicitamente o bambu como espécie prioritária nas diretrizes de implementação dessas políticas.
2. Projetos demonstrativos: Desenvolver pilotos que integrem o bambu em SAFs, restauração de UCs e infraestrutura turística de baixo impacto.
3. Mobilização de recursos: Aproveitar linhas de crédito e fundos mencionados (FUNGETUR, fundos de clima) para financiar a cadeia do bambu.
Dessa forma, o bambu pode se tornar um ator central na realização das metas de restauração, desenvolvimento territorial e economia verde no Brasil.
A análise da Resolução CNBIO Nº 7/2025** (Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia - PNDBio) realizada por nossa coordenação estabelece uma base sólida, demonstrando que o projeto ViverDeBambu e a cadeia do bambu se enquadram em **cinco eixos temáticos centrais** da Bioeconomia brasileira (Estruturação de Cadeia, P&D, Restauração, Turismo e Conhecimento).
| Política Federal | Foco Principal | Proposta ViverDeBambu |
| PNDBio (CNBIO) | Desenvolvimento de cadeias da sociobiodiversidade e restauração produtiva. | Eixos 1, 2, 3, 5: Estruturação da cadeia, Biochar, Agrossílica, Biocombustíveis (SAF). |
| Despacho PR (CNPE) | Redução da dependência de combustíveis fósseis e mecanismos de financiamento. | Eixo 4 (CAGE) e Bio-óleo: Produção de insumos para Armazenamento de Energia (baterias/supercapacitores) e SAFs. |
| Produto de Carbono | Nível de Valor | Alinhamento Político Principal |
| Biochar | Médio (Crédito de Carbono/Agrícola) | MMA / CNBIO (Restauração e Sequestro de $\text{CO}_2$) |
| CAGE | Muito Alto (Grau Eletrônico - $>\text{US\$ 5k/ton}$) | MME / CNPE (Transição Energética, Insumos Nacionais) |
1. Matéria-Prima de Bioeconomia (PNDBio).2. Tecnologia-Chave para a Transição Energética (CNPE).3. Ativo Digital de Carbono (Token VBC) com Governança (Plataforma SaaS).
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